Hoje a postagem não vai ser bonita, nem bem planejada, vai ser emocional. Como se eu pudesse expressar toda minha dor furando a tela em que escrevo, já que não me é possível perfurar a pele. Pele em que habitam meus medos, o corpo que um dia foi tomado por outros sem permissão, pele que suporta minhas alergias e meus tiques, minhas estereotipias, os medos e o choro e a dor toda também. Pele que não desejo mais habitar.
E não, esta não é uma carta de despedida, ah que bom seria me despedir de tudo que me sufoca o ar, que impede a alegria de entrar e que me faz refém dos meus traumas, mas, é apenas uma postagem de uma paciente psiquiátrica com Borderline que está em crise há mais de 50 dias e está lutando desesperadamente para não se matar. Mas, ainda não é hora de me despedir.
Sobre viver. Sobre viver. É isso, É lutar para se manter viva ou vivo, para não sucumbir, para não afundar quando o iceberg bate em você com tanta força que já não existe saída. E já apanhei do gelo tantas vezes que nem sei mais lutar. Mas, continuo tentando, com menos energia e menos forças do que no começo, lá com 8 anos quando as primeiras dissociações vieram, ou aos 14 quando gritaram que eu não poderia ser lésbica e morri também tantas outras vezes.
Me perguntaram se está tudo bem? E hoje a resposta foi realista, não, não estou bem. Nada bem. Estou lutando para estar viva, lutando contra a depressão, contra os transtornos mentais, contra a vontade de não levantar da cama e de morrer. é difícil estar bem quando tudo está desmoronando. São vários pilares da minha vida que estão com defeito, eu sou um completo nada e um tudo. Tudo de errado e ruim. Nada de bom, de flores. Me sinto a mosca do cocô do cavalo do bandido. Me sinto perdida em mim mesma. Meu sofrimento não tem nome, mas, tem endereço, tem cor, tem forma, tem dor.
Ás vezes a morte me chama, talvez ela precise de mim.
